O Autódromo Internacional de Goiânia foi o palco, neste domingo, 22 de março, do Grande Prêmio do Brasil Estrella Galicia 0,0, rodada brasileira do MotoGP, marcando o retorno oficial da principal categoria de motovelocidade ao país após 22 anos. A prova reuniu os melhores pilotos do mundo diante de arquibancadas lotadas, sob um calor intenso, com o objetivo de consolidar o Brasil como uma parada estratégica no calendário internacional e oferecer aos fãs locais a oportunidade de ver de perto astros como Marc Márquez e o jovem talento brasileiro Diogo Moreira.
Goiânia, berço da MotoGP no Brasil
Não foi a primeira vez que Goiânia recebeu a elite da motovelocidade. Entre 1987 e 1989, o Autódromo Ayrton Senna já havia sediado provas do Mundial, sendo o primeiro circuito brasileiro a receber a MotoGP. Agora, mais de três décadas depois, o local volta a ser protagonista, reforçando sua importância histórica no calendário.
O retorno após duas décadas
Já se passaram 22 anos desde a última corrida no Brasil. E o país volta a ter um representante na categoria principal pela primeira vez em 19 anos, desde que Alexandre Barros disputou sua última temporada em 2007. O responsável por recolocar a bandeira verde e amarela no grid é Diogo Moreira, campeão mundial da Moto2 em 2025 e eleito novato do ano em 2024.
MotoGP: Bezzecchi vence e Moreira emociona torcida
Na categoria principal, Marco Bezzecchi (Aprilia Racing) venceu com autoridade, seguido por Jorge Martin e Fabio Di Giannantonio. Marc Márquez terminou em quarto lugar. O brasileiro Diogo Moreira cruzou a linha de chegada na 13ª posição, mas conquistou o público com sua garra e carisma.
“Muito feliz, muito feliz com o fim de semana, eu me diverti muito. Foi bom ter voltado para o Brasil e ver o apoio da galera inteira. Hoje a gente viu que todo mundo estava me apoiando e apoiando todos os pilotos na pista. Estou bem contente e com vontade de voltar”, disse Moreira.
O calor intenso foi um dos maiores desafios da prova.
“O principal problema foi o pneu. Foi bem difícil entender o comportamento ao longo da corrida. O calor estava muito forte, mas fisicamente eu estava bem preparado”, destacou o piloto da Pro Honda LCR.
Diogo Moreira também comentou sobre o processo de adaptação à categoria rainha:
“Acho que o salto mais difícil é da Moto3 para a Moto2, porque a diferença entre as duas categorias é muito grande. Da Moto2 para a MotoGP, apesar de ser um desafio, é um pouco mais fácil de entender a moto. Aqui temos muito mais eletrônica e preciso aprender a lidar melhor com o limite dos pneus. O mais importante na MotoGP é largar entre os dez primeiros, isso facilita muito a vida do piloto. Além disso, precisamos aprender a garantir a passagem direta para o Q2 já na sexta-feira, e acredito que esse será o ponto fundamental para evoluir.”
Franco Morbidelli: raízes brasileiras no grid
Além de Moreira, o público brasileiro também pôde se identificar com Franco Morbidelli. Ítalo-brasileiro, filho de uma recifense, Morbidelli foi campeão da Moto2 em 2017 e já soma cinco pódios na MotoGP. Orgulhoso de sua origem pernambucana, ele fala português e leva a bandeira brasileira estampada em seu capacete, reforçando sua ligação com o país.
Moto2: domínio espanhol
Na Moto2, os espanhóis dominaram o pódio. Daniel Holgado (CFMoto Inde Aspar Team) venceu com autoridade, seguido por Daniel Muñoz e Manuel Gonzalez. O colombiano David Alonso também se destacou ao terminar em quinto, reforçando a diversidade da categoria intermediária, que segue como celeiro de talentos para a MotoGP.
Moto3: nova geração brilha
A Moto3 trouxe a emoção das disputas roda a roda entre jovens talentos. O espanhol Máximo Quiles venceu, com o argentino Marco Morelli em segundo e o indonésio Veda Pratama em terceiro. A categoria mais leve reafirmou sua vocação para revelar futuros campeões, com pilotos de diferentes continentes mostrando competitividade e técnica.
Impacto e Legado
O presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo, Gustavo Jacob, destacou a importância histórica da etapa em Goiânia para o esporte nacional:
“Receber novamente o MotoGP no Brasil, e justamente em Goiânia, que foi o berço da categoria no país nos anos 1980, é motivo de enorme orgulho para todos nós. Foram 22 anos de espera e hoje mostramos ao mundo que o Brasil tem paixão, estrutura e competência para estar no calendário internacional. Ver Diogo Moreira representando o país na categoria principal, ao lado de nomes consagrados, é a prova de que estamos vivendo um novo ciclo para o motociclismo brasileiro.”
O presidente da CBM também ressaltou os efeitos positivos que o retorno da MotoGP traz para o país:
“Além da emoção esportiva, o MotoGP em Goiânia deixa um legado importante para o Brasil. Estamos falando de milhares de turistas, movimentação na rede hoteleira, bares e restaurantes, além da geração de empregos diretos e indiretos. O impacto econômico é significativo e mostra que o motociclismo pode ser também um vetor de desenvolvimento regional. Queremos que essa etapa seja fixa no calendário e que o Brasil volte a ser referência mundial, não apenas pela paixão da torcida, mas também pela capacidade de organizar grandes eventos.”
Encerramento e próximos desafios
O fim de semana em Goiânia deixou a sensação de missão cumprida e reforçou a hospitalidade brasileira junto às equipes estrangeiras. Agora, o Mundial segue para os Estados Unidos: a próxima etapa será no Circuito das Américas, em Austin, no dia 5 de abril, em um traçado de características técnicas completamente distintas das enfrentadas no planalto central.

Resultados deste domingo, 22 de março
Categoria MotoGP
1º) Marco Bezzecchi (ITA) – Aprilia Racing / 30m19s760
2º) Jorge Martin (ESP) – Aprilia Racing / 3s231
3º) Fabio Di Giannantonio (ITA) – Pertamina Enduro VR46 / 3s780
4º) Marc Marquez (ESP) – Ducati Lenovo Team / 4s089
5º) Ai Ogura (JPN) – Trackhouse MotoGP Team / 8s403
12º) Franco Morbidelli (ITA) - Pertamina Enduro VR46 / 19s980
13º) Diogo Moreira (BRA) – Pro Honda LCR / 21s322
Categoria Moto2
1º) Daniel Holgado (ESP) – CFMoto Inde Aspar Team / 35m46s382
2º) Daniel Muñoz (ESP) – Italtrans Racing Team / 1s226
3º) Manuel Gonzalez (ESP) – Liqui Moly Dynavolt Intact GP / 3s916
4º) Alex Escrig (ESP) – Klint Racing Team / 4s497
5º) David Alonso (COL) – CFMoto Inde Aspar Team / 8s652
Categoria Moto3
1º) Maximo Quiles (ESP) – CFMoto Gaviota Aspar Team
2º) Marco Morelli (ARG) – CFMoto Gaviota Aspar Team
3º) Veda Pratama (IDN) – Honda Team Asia
4º) Alvaro Carpe (ESP) – Red Bull KTM Ajo
5º) Guido Pini (ITA) – Leopard Racing